Escolhendo a fonte de alimentação (PSU) ideal

4 02 2009

A fonte do computador é o seu componente mais importante, é ele que alimenta TODO e qualquer hardware (com exceção dos protótipos lendários de Voodoo 5 6000, que tinham sua própria fonte @_@). Uma alimentação inadequada pode danificar ou mesmo inutilizar diversos componentes. Quando você for escolher uma fonte, tenha em mente esses itens:

01. Sempre que puder, evite as fontes genéricas

Marcas do tipo HuntKey, Leadership, Clone, Omega, Coletek, C3Tech, DrHank, Satellite e coisas assim que fazem promessas absurdas (tipo 600W por menos de 300 reais) são um problema e devem ser evitadas. Em aproximadamente 99,99% dos casos, elas não conseguem garantir os 100W. Geralmente esses supostos 600W é a energia que elas gastam para funcionar e não necessáriamente quanto conseguem entregar ao sistema dentro dos limites aceitáveis.

São conhecidas como “fontes de potência nominal” ou “fontes nominais”. Posso dizer que todas “fontes nominais” são genéricas, pois nenhuma empresa séria as fabrica atualmente.

Por exemplo, uma fonte genérica de 600W com 40% de eficiência deveria entregar uns 430W antes de começar a dar problema (isso não é uma regra e varia de fonte para fonte). O problema é que fontes baratas (aquelas de 600W por 130 reais) raramente consegue entregar mais de 250W sem desestabilizar.

02. PFC (fator de correção de força)

O que é o PFC? É um recurso que visa diminuir a perda de energia em forma de calor, fazendo que a fonte precise menos energia para entregar a mesma quantidade de energia.

Procure sempre fontes com PFC, seja ativo ou passivo. Nas fontes de computador o PFC ativo é mais efetivo que o PFC passivo. Normalmente uma fonte de boa qualidade sem PFC tem entre 50% e 60%. Uma com PFC passivo tem uma eficiência um pouco maior, que fica entre 70% e 80%. Já a com PFC ativo possuiria uma eficiência entre 95% e 99%. Uma fonte genérica raramente alcança 20% de eficiência.

Vale lembrar que a perda de energia em forma de calor não é incluído na capacidade da fonte e sim adicionado ao gasto. Exemplificando, se teu computador está precisando de 400W e tua fonte tem PFC passivo com eficiência de 75%, o consumo seria de 500W, ou seja, 125% da capacidade da fonte.

Pegando este mesmo consumo, 400W, se você usasse uma fonte genérica provavelmente você estaria sem computador agora. Se fosse uma de boa qualidade sem PFC o gasto seria entre 560W e 600W. Já uma com PFC passivo gastaria entre 480W e 520W. Uma com PFC Ativo estaria entre 404W e 420W.

Percebam a diferença do sem PFC para o PFC ativo “perfeito” (99%): 196W.

Ainda em tempo, a história que PFC só funciona na Europa e em países com redes “decentes” de energia é uma grande baboseira e deve ser ignorada. Você perceberá a redução do consumo de energia em algum tempo.

03. Consumo do computador + uma “folga”

Sabe quanto consome o computador que você pretende montar? Ótimo, agora coloque mais uns 10% ou 15% e procure a fonte que mais se adaptaria a isso. Não sabe? eXtreme Power Supply Calculator Lite.

Usando de exemplo o meu Pentium Dual Core E5200, 2 módulos de RAM, Radeon HD4670, 1 HD SATA, 1 DVD-RW, usando 85% do processador e 90% do sistema deve consumir entre 220W ~ 250W. Porém se você quiser manter a fonte por mais de um ano, teria de adicionar um pouco mais de potência. Isso é necessário devido ao desgaste natural dos componentes da fonte e ela vai perdendo capacidade.

Como eu quero manter minha fonte por uns 5 anos, caso não faça mais upgrades, a conta daria mais ou menos 270W-275W + 50% de capacitor aging (os capacitores tendem a perder capacidade com o tempo) daria 400-410W, mas como eu queria uma fonte Corsair, escolhi uma Corsair VX450W e por sorte ela estava relativamente barata na época… R$ 220. (Agora ela está custando R$ 315 na loja onde eu comprei. )

[momento half-off : A Corsair tem PFC ativo de 83%-85%, quer dizer que um sistema como o meu que consome 280W no máximo faz a fonte gastar 320W-330W.]

04. Probabilidade de algum futuro upgrade

Se você quer, no futuro, colocar alguma placa de vídeo mais parruda ou mesmo mais HDs, você precisará de uma folga extra. Coloque mais uns 20% extra, além da “folga” do item anterior.

05. Pesquise sobre a marca e a fonte

Não adianta nada ver que o computador consome 450W e comprar uma fonte genérica com potência nominal de 450W (e potencia real de 180W)!

Use o Google para buscar mais informações, reviews, gaste um tempo procurando. Informação (quase) nunca é demais. Não entendeu bem algum detalhe técnico? Procure fóruns e pergunte. Geralmente o povo ajuda se você for educado.

06. Tipo de refrigeração da fonte

De preferência às fontes com fans (ventoinhas) de 120mm ou 140mm. As com fans de 80mm e 92mm são mais barulhentas e as fanless costumam esquentar demais.

07. Economizar demais em fonte é um jogo de roleta russa

Alguém certamente VAI se machucar, neste caso será você e o teu bolso (quando precisar substituir peças danificadas), sem falar que aumenta a probabilidade de acontecerem acidentes.

Neste caso um tostão poupado, são dois (ou mais) gastos e não ganhos.

08. Não encare a fonte como “só mais um gasto…”

Encare como um investimento, uma fonte boa certamente durará mais. Do que adianta comprar uma fonte que você precisará substituir a cada 2~3 meses? Não é melhor comprar uma boa de uma vez só?

09. Equilibre preço, qualidade, potencia e principal uso da máquina

Certamente você não irá comprar uma Corsair HX 1000W (que está valendo mais de 1500 reais) para um computador de escritório, né? Mas também não irá comprar uma Leadership Gamer 600W. Essa eu falo por experiência própria, apesar desta fonte funcionar em computadores menos recentes, acredite, ela é uma bomba.

10. Verifique se ela é 100% compatível com seus componentes

Ao comprar uma fonte, você poderá ter a desagradável surpresa de perceber que a fonte, apesar de supostamente compatível, não funciona.

Placa mãe com vídeo onboard normalmente requer um plug quadrado de 4 conexões (cujo nome eu não lembro) que não está disponível em todas fontes, algumas placas de vídeo mais fortes requerem um plug PCIe de 6 pinos que também não está disponível em várias fontes. Outra coisa que pode se tornar uma dor de cabeça é o fato da ausência de um plug 20+4 (ou 24) para a placa mãe, 99% delas precisam deste plug. O Plug de 20 pinos é um padrão ATX mais antigo e não funcionará na sua placa mãe mais recente. Verifique também se a fonte dispõe do numero exato ou superior de cabos de energia que você precisa: SATA, PATA, Floppy, PCIe…

Bom, vou ficando por aqui… só avisando: esse é o metodo que EU uso para escolher fontes, fique à vontade para deixar sua opinião.

Reedição de um artigo escrito para o iCaju.

Edit: você pode ler mais alguns reviews de fontes em português no Clube do Hardware.

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