E-books, livrarias e o proteburrocionismo brasileiro.

8 12 2012

A ANL publicou uma carta aberta sugerindo proteção contra os e-books no Brasil.

São pedidos, que são no mínimo absurdos, visam proteger o negócio das livrarias. Tudo isso seria muito bonito e bom se não prejudicasse tanto os consumidores e a popularização dos ebooks.Seguem abaixo alguns trechos da carta:

“Recomendamos estabelecer um intervalo de 120 dias entre o
lançamento dos livros impressos no formato de papel no mercado
brasileiro e sua liberação nas plataformas digitais.”

Esta pratica, que considero deshonesta, também já vem sendo praticada pela indústria do cinema há varios anos. Podem notar quão raros são os lançamentos simultaneos no cinema e em DVD (ou atualmente BluRay). Mas no caso estamos falando de LIVROS, isso mesmo, LIVROS! O conteúdo deverá ser o MESMO!

Esse intervalo servirá apenas para tirar das mãos do consumidor o direito de escolha: se o consumidor prefere ler o recém lançado livro em seu confortável leitor de e-books, ou optar por ter em mãos o livro fisico com aquele agradável cheiro de livro novo. (quem NUNCA cheirou um livro novo que me atire a primeira pedra, que eu atiro um Kindle! –não que eu tenha um kindle…–)

“Solicitamos que o desconto para revenda do livro digital para todas
as livrarias e para as demais plataformas seja uniforme,
possibilitando igualdade de condições para todos os canais de
comercialização nesse novo suporte de leitura.”

Esta parte me pareceu justa e auto-explicativa.

“Sugerimos que a diferença de preço a menor do livro digital para o
formato impresso seja no máximo igual a 30%.”

Levando em conta que no ebook não há gasto com papel, tinta, material para capa e montagem, além da transferência de dados ser minima (geralmente algo 250KB e 25MB por exemplar), acredito que a diferença poderia ser maior, digamos até uns 65%. Eu concordaria com uma diferença máxima de 50%, se, e somente se, os autores recebessem mais por exemplar vendido.

Por que eu mencionei os autores no parágrafo anterior? Simples. No comércio tradicional de livros, o repasse para o autor é MUITO pequeno diante do lucro das livrarias –que trabalham com um lucro de 30-40%*– e os autores recebem algo entre 8 e 10% do preço “de prateleira”.
*lembre-se as livrarias fisicas tem despesas normais: pessoal, energia, impostos, etc…

Já no caso dos ebooks, a coisa muda: a Amazon, por exemplo, repassa 70% do preço final para o autor, o que se torna muito mais interessante para o autor.

“Na hipótese de a editora ou distribuidora vender diretamente ao
consumidor final, o desconto nos livros digitais não deverá exceder
5%.”

Isso é inaceitável! Formação de cartel com produtos alheios? Isso seria justo se, e apenas se, fosse válido também para as livrarias fisicas.
Ao meu ver, a ANL tem medo de se atualizar para o novo formato e prefere tentar sabotar a concorrência.
Fica a pergunta: quem será mais prejudicado nesta história? Os consumidores, os autores ou quem trabalha com ebooks?

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